O MANDAMENTO DO SÁBADO FOI DADO SOMENTE PARA ISRAEL?

O MANDAMENTO DO SÁBADO FOI DADO SOMENTE PARA ISRAEL?

O MANDAMENTO DO SÁBADO FOI DADO SOMENTE PARA ISRAEL?
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O Sábado Foi Dado Somente para Israel?

A questão de se o sábado foi dado exclusivamente a Israel ou se é um princípio aplicável a toda a humanidade é fundamental para a compreensão da teologia adventista. A crença adventista sustenta que o sábado é um mandamento universal instituído por Deus na criação, destinado a todos os seres humanos, e não apenas aos israelitas. Este artigo examinará essa posição por meio de uma análise cuidadosa das Escrituras, apoiando-se em passagens bíblicas que demonstram a continuidade e a universalidade do sábado.

1. A Instituição do Sábado na Criação: Um Princípio Universal

A base para a compreensão adventista do sábado como um princípio universal começa em Gênesis 2:2-3:

 "E havendo Deus terminado no sétimo dia a sua obra, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que, como Criador, fizera."

Neste relato, o sábado é introduzido no contexto da criação do mundo, muito antes da existência de Israel como nação. Deus descansou no sétimo dia, abençoou-o e o santificou, estabelecendo um exemplo divino de descanso e adoração que, segundo a perspectiva adventista, deveria ser seguido por toda a humanidade. O uso da palavra "santificou" (hebraico: *qadash*) indica que Deus separou o sétimo dia como algo especial, um dia de descanso sagrado para todos os seres humanos.

Ao instituir o sábado na criação, Deus estabeleceu um padrão universal de trabalho e descanso. Este mandamento é visto como aplicável a toda a raça humana, independentemente de nacionalidade ou religião, pois Adão e Eva, os primeiros seres humanos, representam toda a humanidade. Portanto, a observância do sábado é um lembrete contínuo do poder criador de Deus e um convite à comunhão com Ele.

2. O Sábado nos Dez Mandamentos: Um Mandamento Universal e Perpétuo

O sábado é reafirmado como um dos Dez Mandamentos dados por Deus a Moisés no Monte Sinai, conforme descrito em Êxodo 20:8-11:

 "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santificou."

A frase "lembra-te" é significativa, pois implica que o sábado já era conhecido e deveria ser lembrado e observado. Este mandamento não foi uma nova instituição, mas uma reafirmação de um princípio já estabelecido na criação. Além disso, o mandamento é fundamentado no exemplo de Deus na criação — um evento que se aplica a toda a humanidade, não apenas aos israelitas.

Os Dez Mandamentos, como um todo, são considerados por muitos teólogos, incluindo os adventistas, como uma expressão dos princípios morais eternos de Deus, que são aplicáveis a todos os seres humanos. Jesus, em Seu ministério, confirmou a validade contínua da Lei de Deus. Em Mateus 5:17-18, Ele afirmou:

 "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido."

Portanto, a observância do sábado é vista como um mandamento moral e perpétuo, não restrito a um povo ou a um tempo específicos, mas relevante para todos os tempos e povos.

3. O Sábado como Sinal de Aliança com Toda a Humanidade

Em Isaías 56:2-7, o profeta expande a compreensão do sábado, incluindo os gentios (não israelitas) na bênção do sábado:

 "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal. E não fale o filho do estrangeiro que, unido ao Senhor, disser: Certamente o Senhor me separará do seu povo; nem tão pouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca. Porque assim diz o Senhor: Aos eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança, darei na minha casa, e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará."

Nesta passagem, Isaías descreve a inclusão dos gentios e de outros grupos, como eunucos, na aliança com Deus, desde que guardem o sábado. Este texto sugere que a observância do sábado não é exclusiva de Israel, mas aberta a todos que se unem ao Senhor e buscam segui-Lo. O sábado, portanto, é apresentado como um sinal de aliança para toda a humanidade, uma prática que transcende fronteiras étnicas ou culturais.

4. A Prática de Jesus e o Sábado

Os evangelhos relatam que Jesus, durante Seu ministério, observou o sábado e o ensinou como um dia de cura e libertação, reafirmando seu propósito original. Em Lucas 4:16, lemos:

"Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num sábado na sinagoga, segundo o Seu costume, e levantou-Se para ler."

Este versículo mostra que Jesus tinha o costume de observar o sábado, participando regularmente dos cultos na sinagoga. Ele usava o sábado como uma oportunidade para ensinar e curar, como descrito em várias passagens (por exemplo, Mateus 12:9-13; Marcos 3:1-5; Lucas 6:6-11). Em Marcos 2:27-28, Jesus enfatiza o propósito do sábado:

"O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim, pois, o Filho do Homem é Senhor também do sábado."

Essa declaração reforça a ideia de que o sábado foi instituído para o benefício de toda a humanidade ("por causa do homem") e não apenas para o povo de Israel. Ao afirmar que Ele é o "Senhor do sábado", Jesus não aboliu o mandamento, mas reafirmou seu propósito e significado.

5. O Sábado na Igreja Primitiva

A Igreja Primitiva, incluindo os apóstolos e primeiros cristãos, continuou a observar o sábado. Em Atos 13:42-44, vemos que Paulo e Barnabé pregavam nas sinagogas aos sábados:

"E, saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes fossem ditas as mesmas palavras. E, despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos religiosos seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os persuadiram a perseverar na graça de Deus. No sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus."

Aqui, tanto judeus quanto gentios se reúnem no sábado para ouvir a pregação da Palavra de Deus, demonstrando que a observância do sábado continuava a ser relevante para a comunidade cristã nascente.

Paulo, em sua defesa perante Félix em Atos 24:14, afirma sua fidelidade à Lei e aos Profetas, que inclui a observância do sábado:

"Mas confesso-te isto: que, conforme aquele caminho, a que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas."

6. A Universalidade do Sábado e a Nova Terra

A teologia adventista também argumenta que a observância do sábado terá continuidade na Nova Terra, o estado eterno prometido aos fiéis. Em Isaías 66:22-23, Deus diz:

"Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que de uma lua nova a outra, e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor."

Essa passagem profética aponta para um futuro em que toda a humanidade guardará o sábado como um dia de adoração a Deus, indicando que o sábado não é apenas para esta era, mas também para a eternidade. Esta visão reforça a ideia de que o sábado é um mandamento universal e perpétuo.

7. Conclusão

O sábado é um mandamento universal e perpétuo, instituído por Deus na criação e reafirmado ao longo de toda a Bíblia como um sinal de aliança entre Deus e toda a humanidade, não apenas com Israel. Desde a criação do mundo, o sábado foi estabelecido como um dia de descanso e comunhão com o Criador, um princípio que transcende culturas e épocas. Jesus, ao observar e ensinar sobre o sábado, reforçou seu significado e aplicabilidade para todos, destacando que o sábado foi feito "por causa do homem" e permanece relevante na Nova Aliança.

Além disso, a continuidade da observância do sábado na Nova Terra, conforme profetizado por Isaías, confirma a visão de que este mandamento não é temporário, mas faz parte do plano eterno de Deus para a humanidade. Dessa forma, o sábado se apresenta como um convite divino para todos entrarem em um relacionamento mais profundo com Deus, reconhecendo-o como Criador e Redentor, e encontrando nele descanso e renovação. A prática do sábado, portanto, vai além de uma simples tradição cultural ou religiosa; é um ato de fé, obediência e amor ao Criador, que convida todos os povos a experimentarem o Seu descanso e a Sua presença.

Portanto, para a fé adventista, o sábado não foi dado somente a Israel, mas é um dom de Deus para toda a humanidade, um dia que oferece uma oportunidade única de conexão com o divino, reafirmando a sua relevância e propósito até o fim dos tempos.



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