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Sem dúvidas, essa é uma pergunta feita por muitos dos irmãos que desejam, oram e trabalham pela expansão do Reino de Deus. Desde a ordem dada por Jesus em Mateus 28:19, sobre fazer discípulos, a igreja tem consciência de sua natureza espiritual e missionária.
Ao longo desses 23 anos como adventista do sétimo dia, já presenciei inúmeras situações de irmãos que se afastam da igreja por falta de propósito. Ou seja, são indivíduos que não se envolvem no propósito para o qual a igreja foi chamada.
Já outros se envolvem, mas procuram utilizar seus próprios métodos ao invés do método de Cristo. Acredito que a pergunta do título deste artigo deve nos levar a refletir sobre quais pontos podemos melhorar para que a igreja experimente uma renovação missionária.
É possível que alguns irmãos vejam nessa pergunta uma crítica ao trabalho que a igreja tem realizado, mas acredito que essa é uma pergunta legítima, à qual devemos dar atenção, não no sentido de apontar falhas, mas de apresentar possíveis caminhos que possibilitem novas ações por parte da igreja.
Se fizermos as coisas sempre da mesma maneira, chegaremos sempre ao mesmo resultado. Devemos pensar: o que estamos fazendo no trabalho missionário está de acordo com o método de Cristo? Ou será que não estamos fazendo nada para cumprir a missão da igreja?
Aqui, é importante refletirmos sobre o que significa, de fato, utilizar o método de Cristo. Muitas vezes, nossas intenções podem ser genuínas, mas acabamos por agir com base em tradições humanas, em convenções que adquirimos ao longo do tempo, e não nos fundamentos bíblicos. O método de Cristo é pautado em princípios de amor, serviço e acolhimento. Ele é, essencialmente, relacional e centrado no indivíduo. A pergunta que deve guiar nossas ações é: estamos realmente nos conectando de forma profunda e significativa com aqueles a quem pretendemos alcançar?
Cristo andou entre as pessoas, compreendeu suas dores, compartilhou suas alegrias e sempre esteve pronto a acolher, sem julgamentos. Se queremos ver nossa igreja crescer, é fundamental avaliar se temos adotado esse mesmo padrão. Se nossa abordagem está centrada apenas na manutenção de ritos e costumes, sem que haja uma verdadeira intenção de servir e amar, corremos o risco de não impactar vidas de forma genuína.
A missão não é somente fazer crescer numericamente a igreja, mas também promover o crescimento espiritual e relacional. Muitos líderes e membros estão focados em resultados visíveis, como batismos e a presença nos cultos, e tudo isso é importante, mais é preciso lembrar também esquecem que o crescimento de uma igreja se percebe pelo amadurecimento espiritual de seus membros e pelo amor demonstrado ao próximo. É possível que haja crescimento numérico sem um crescimento espiritual correspondente, e isso pode levar ao esfriamento da fé e à insatisfação, gerando uma igreja cheia (igreja cheia é algo bom), mas desmotivada.
Outro ponto a ser considerado é a cultura da igreja. Cada comunidade possui suas particularidades, suas tradições e seu modo de operar. Às vezes, essas tradições, mesmo bem-intencionadas, podem se tornar obstáculos ao crescimento. Precisamos ter cuidado para não confundir costumes humanos com princípios bíblicos. A cultura deve ser algo que facilite o relacionamento com Deus e com o próximo, e não algo que crie barreiras.
Além disso, o trabalho missionário eficaz requer uma visão clara de discipulado. Discípulos não são apenas frequentadores de igreja; são aqueles que, ao serem impactados pela mensagem, assumem o compromisso de viver e compartilhar essa mensagem. A igreja precisa investir tempo e recursos na formação de discípulos comprometidos, equipando-os para serem multiplicadores da fé, seguindo o modelo de Jesus com seus apóstolos. Esse processo envolve ensino, acompanhamento e, sobretudo, um exemplo de vida coerente com os princípios cristãos.
Um dos grandes desafios para o crescimento da igreja também é o engajamento da juventude. Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada e dinâmica, e a igreja precisa ser sensível às necessidades e expectativas dos jovens. Eles anseiam por um propósito significativo e, se não encontrarem isso dentro da igreja, podem facilmente se afastar. Portanto, é necessário criar espaços de diálogo e atividades que os envolvam em causas relevantes, onde possam sentir-se parte ativa da missão.
Por fim, é importante lembrar que o crescimento da igreja é obra de Deus, mas Ele nos chama a cooperar com Sua missão. Isso envolve tanto o fortalecimento da vida espiritual individual de cada membro quanto o fortalecimento coletivo da igreja enquanto corpo de Cristo. Se cada membro se comprometer a viver sua fé de forma prática, buscando ajudar o próximo, encorajar os desanimados e levar esperança aos que estão sem direção, a igreja certamente experimentará um renovo missionário e um crescimento saudável.

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