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| imagem retirada do google |
Um dos pontos de tensão histórica entre católicos e protestantes está na forma como cada tradição cristã trata Maria, a mãe de Jesus. Alguns católicos acusam os protestantes de “desprezarem Maria” devido à ausência de veneração a ela nas igrejas evangélicas e pela rejeição de práticas como o culto mariano ou a recitação do rosário. Mas será que essa acusação é fundamentada, ou reflete um mal-entendido sobre a cosmovisão cristã protestante?
A Perspectiva Protestante: Somente a Bíblia
A base da teologia protestante é o princípio conhecido como Sola Scriptura, ou seja, “Somente as Escrituras”. Essa visão sustenta que a Bíblia é a única fonte autoritativa em questões de fé e prática. Para os evangélicos, no que diz respeito ao ensino doutrinário ou prática de fé deve ser fundamentada nas Escrituras Sagradas e não em tradições humanas ou interpretações que extrapolem o texto bíblico.
Nesse contexto, os protestantes reconhecem Maria como uma figura de grande importância. Ela é vista como uma mulher exemplar de fé e obediência, escolhida por Deus para desempenhar o papel único de dar à luz o Salvador do mundo, Jesus Cristo. Textos como Lucas 1:28, onde Maria é chamada de “agraciada”, e Lucas 1:46-55, o Magnificat, destacam sua fé e submissão ao plano divino.
No entanto, os protestantes não atribuem a Maria títulos ou funções que não encontram respaldo direto nas Escrituras, como “Mediadora”, “Co-Redentora” ou “Rainha do Céu”. Para eles, a mediação entre Deus e os homens é exclusiva de Jesus Cristo, conforme ensinado em 1 Timóteo 2:5: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus”.
Veneração versus Idolatria
A diferença central entre católicos e protestantes não é sobre quem Maria foi, mas sobre o papel que ela desempenha na fé cristã. Os católicos praticam a veneração de Maria (hyperdulia), que diferenciam da adoração (latria), reservada somente a Deus. Essa veneração inclui orações a Maria, a crença em sua intercessão e celebrações como a Assunção.
Os protestantes, porém, enxergam essas práticas como problemáticas, pois acreditam que desviam a atenção que deve ser dada somente a Deus. Eles praticam qualquer forma de oração a Maria, interpretando tal prática como uma violação do princípio bíblico de que a adoração e a intercessão pertencem exclusivamente a Deus e a Cristo.
Alguns estudiosos católicos argumentam que a prática da veneração não configura idolatria, porém a idolatria reside no fato de se oferecer ela orações acreditando que ela está no céu intercedendo pelas pessoas aqui na terra. O mesmo se aplica também aos santos que a igreja católica diz que não adora, mas da mesma forma direciona orações a essas pessoas que já morrerão mas que segundo a igreja elas já estão no céu em um estado de bem-aventurança.
Para os protestantes, a devoção a Maria pode obscurecer a mensagem central do Evangelho: a salvação pela graça, por meio da fé em Jesus Cristo. Assim, não se trata de desprezo por Maria, mas de uma diferença de interpretação teológica baseada na ênfase bíblica.
Honra Sem Exagero
Enquanto rejeitam a veneração ou culto a Maria, os protestantes não negam o valor de seu papel na história da salvação. Muitos evangélicos ensinam sobre Maria em contextos que ressaltam sua fé e obediência a Deus como exemplos dignos de imitação. Entretanto, essa honra é dada dentro dos limites estabelecidos pela narrativa bíblica, sem elevações que transformem Maria em objeto de adoração ou mediadora espiritual.
Um Mal-Entendido Histórico?
A acusação de que os evangélicos “desprezam Maria” pode ser vista como um mal-entendido teológico. A ausência de veneração a Maria não é resultado de desrespeito, mas de uma interpretação bíblica que visa preservar o foco exclusivamente em Cristo. Essa abordagem é uma tentativa de ser fiel ao princípio de que “Deus não divide sua glória com ninguém” (Isaías 42:8).
Conclusão
A diferença entre católicos e protestantes sobre Maria reflete, em última análise, distinções mais amplas sobre a autoridade das Escrituras e a relação entre tradição e fé. Para os evangélicos, a mãe de Jesus é honrada como uma mulher de fé e coragem, mas não é objeto de culto ou mediadora espiritual. Assim, a acusação de “desprezo” é inadequada quando se entende a cosmovisão protestante, que busca seguir a Bíblia como única regra de fé e prática.

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