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Introdução
A diferença entre a Bíblia católica e a protestante é um tema teológico e histórico complexo. Alguns textos católicos argumentam que os protestantes removeram livros do Antigo Testamento com base em um critério arbitrário, desprezando a autoridade da Igreja. No entanto, essa afirmação ignora fatores históricos e teológicos que justificam a diferença nos cânones.
1. O Processo de Canonização das Escrituras
Tais textos afirmam que o cânon foi definido exclusivamente pela Igreja Católica, mas a canonização da Escritura foi um processo gradual. No tempo de Jesus, os judeus já possuíam um conjunto de escritos considerados inspirados, que correspondiam ao que hoje está na Bíblia protestante. O Cânon judaico foi formalmente fechado no século I d.C. no Concílio de Jânia, excluindo os livros deuterocanônicos, que faziam parte da Septuaginta grega. Os primeiros cristãos judeus seguiram essa mesma tradição.
2. A Septuaginta e os Deuterocanônicos
Alguns argumentam que os Apóstolos usavam a Septuaginta e, portanto, os cristãos devem aceitá-la como canônica. No entanto, não há evidências conclusivas de que Jesus ou os Apóstolos considerassem os livros deuterocanônicos como Escritura inspirada. Apesar de citarem a Septuaginta, eles nunca fazem referência direta a esses livros como "Escritura", diferentemente do que ocorre com os livros do cânon hebraico.
3. O Concílio de Trento e a Oficialização do Cânon Católico
Outros mencionam o Concílio de Trento (1546) como a confirmação do cânon católico, mas ignora que a aceitação dos deuterocanônicos sempre foi debatida. Até o século XVI, teólogos católicos divergiam sobre sua canonicidade. Santo Agostinho os aceitava, enquanto Jerônimo, tradutor da Vulgata, rejeitava sua inspiração divina. Somente no Concílio de Trento a Igreja os declarou oficialmente canônicos, em resposta à Reforma Protestante.
4. A Postura Protestante
Martinho Lutero, ao revisar o cânon, adotou a lista hebraica porque acreditava que apenas os livros reconhecidos pelos judeus antes de Cristo deveriam ser considerados Escritura. Não houve uma "remoção" arbitrária, mas uma escolha baseada em critérios históricos e teológicos.
5. O Novo Testamento e a Autoridade da Igreja
A quem defenda que, se os protestantes aceitam o Novo Testamento definido pela Igreja, deveriam aceitar também o Antigo. No entanto, o cânon do Novo Testamento foi reconhecido amplamente pelas igrejas primitivas antes de qualquer declaração conciliar. Além disso, os reformadores não rejeitaram o cânon por completo, mas confiaram na história da transmissão do Antigo Testamento feita pelo povo judeu.
Conclusão
A diferença entre os cânones da Bíblia católica e protestante não resulta de um simples afastamento dos protestantes da tradição da Igreja, mas de uma série de fatores históricos e teológicos. A discussão sobre a canonicidade dos deuterocanônicos existia muito antes da Reforma e continua sendo um tema de debate acadêmico e teológico até hoje.
Para um estudo complementar clique link abaixo:
Por que a Bíblia católica tem mais livros do que a protestante?

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